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Quentes e boas

- Quentes e boas! Quentes e boas!

Lá vem o comboio coxinho a deitar tanto fumo!

- Só dez!

Dez num funil de jornal velho. Tão quentes! Tão boas! E está tanto frio...

- Quanto é?

- Cem escudos...

O vendedor sacode ambas as mãos enfarruscadas, dando palmas. Eu estendo-lhe a moeda com a mão direita. A esquerda segura o funil com a ternura quente das castanhas.

 

Matilde Rosa Araújo (adaptado) - Livro Tico 2, Edições Nova Gaia