Submetido por inverno a Segunda, 22/12/2008 - 10:43.
Um relâmpago riscou o espaço, seguido de trovão seco... Depois outros relâmpagos e outros relâmpagos se sucederam com pequeno intervalo. E rompeu a chover. De príncipio, gotas gordas e solitárias. Depois, em corda, tão bastas que, assim, seria o dilúvio. E mais uns relâmpagos, mais uns trovões de retumbante vozeirão, e abriram-se as cataratas do céu.
De olhos aflitos, o senhor José Barnabé Pé de Jacaré espiava os estragos que a trovoada fazia na sua rica fazenda. Quando viu a abóbora-menina rolar pelo chão abaixo, como se levasse o diabo no pêlo, deu um salto. E, pós-catrapós, desceu a escada, pinchou o batatal, gritando, mas ninguém lhe valia.
- Agarra! Agarra!
Aquilino Ribeiro (adaptado) - Livro Tico 3, Edições Nova GaiaT
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